Contato Sant'Anna
Rancharia (18) 3265 1329  |  Uberaba (34) 3319 0700
 

Você está em: inicio > publicações

A arte de selecionar rebanhos

30/9/2008


Artigo escrito na DBO GENÉTICA - Anuário de Reprodução em Agosto de 2003

Pecos, pecúnia, pecúlio, pecuária. Do latim: animal, rebanho, dinheiro–fortuna, arte de criar. Desde a mais remota antiguidade, antes mesmo da noção de território privado, o homem se apropria de um animal, fazendo-o produzir. O animal e o rebanho representam o primeiro ativo da humanidade e, por milênios, são identificados com o dinheiro, fortuna e patrimônio. O animal como valor, o valor como moeda, a moeda como referência. Nada mais natural, portanto, que esse ativo tenha merecido sempre cuidados especiais. A posse e a seleção nasceram juntas. E após dura seleção natural, pelas mãos do pecuarista, a bovinocultura avançou muito neste último milênio, produzindo carne, leite e couro, e alimentando todas as civilizações.


Sempre houve seleção no rebanho. Pela observação, experiência, intuição, mas, sobretudo, pelo talento do criador. Entre centenas de exemplos, vale lembrar o trabalho dos britânicos, que produziram duas grandes raças com excepcional performance na produção de carne. Também os europeus continentais desenvolveram raças com forte aptidão para a produção de leite. Mas, sem dúvida, o maior esforço de seleção neste último século deve ser atribuído aos criadores brasileiros, que conseguiram transformar as raças zebuínas do Oriente em maravilhosas máquinas de produzir carne e leite nos trópicos. A raça nelore é resultado de um dos mais importantes trabalhos de seleção já realizado pelo homem. Presente em todo território brasileiro, o Nelore contribui para a integração e a ocupação do país.


Através dos tempos, métodos de informação e análise ajudaram o pecuarista a buscar o melhor entre o rebanho. Das inscrições rupestres aos modelos matemáticos e estatísticos – e agora ensaiando os primeiros passos na sofisticada biologia molecular (a genômica) –, cada vez mais temos como decidir sobre o melhor, o mais eficiente, o animal genomicamente mais adequado.


Quanto mais avança o progresso tecnológico, fica mais evidente a importância e a necessidade do talento, privilégio de poucos criadores. Somente com a sensibilidade e o olhar do criador é que a pecuária terá o melhor entre os grupos cientificamente pré-selecionados. A sua contribuição será essencial para que toda a pesquisa resulte, no campo, em rebanhos com mais fertilidade, em animais mais resistentes a uma série de doenças e à presença de uma série de parasitas, e em lotem que produzam carne e leite de mais qualidade, com mais maciez no primeiro caso e mais altos teores de sólidos (proteínas e lípideos) no segundo.


Prova disso é que, nas duas últimas décadas, mesmo sem qualquer impacto direto da genômica sobre a pecuária brasileira, o incremento da produtividade do rebanho comercial brasileiro propiciou a redução da idade média de abate por animal de cinco para apenas três anos de idade .


O talento do selecionador, responsável pelo encaminhamento da genética por todos os estratos de produção, explica muito desse progresso.
 

Jovelino Carvalho Mineiro Filho - Empresário Rural, Economista e Sociólogo
Fazenda Sant'Anna

 

PDF Faça o download da entrevista








Formas de Pagamento

Boleto Bancário Visa